9.11.04

Outro dia pus-me a pensar...

Alguem me explica pq e que por exemplo nao existem revistas lesbicas portuguesas? Ja vi bastantes revistas gays ou revistas gerais sobre homossexualidade. Nunca vi nenhuma essencialmente virada para as questoes lesbicas. Quando eu digo revista falo em revistas comerciais pq eu sei que existe a zona livre do clube safo que e enviado a todas as associadas.
Noto que mesmo series tipo sitcoms que passam na televisao que se fazem focam sempre muito mais os gays que as lesbicas. Podia referir aqui mais coisas como filmes, livros, etc, etc...Os gays tem muito maior visibilidade que as lesbicas.
Acho que e tudo uma questao da sociedade onde estamos inseridos. Nao sei se me vou fazer compreender mas acho que isto acabei de dizer reflecte a sociedade machista em que vivemos. Ou seja os homens sao sempre criados para dominar a esfera publica, a esfera da visibilidade da exposicao. Mesmo discriminados pelo resto da sociedade os gays tem muito mais facilidade em se tornarem visiveis do que as lesbicas. Eu acho que dentro da comunidade homossexual (pela minha parca experiencia do meio) as lesbicas acabam sempre por sofrerem uma descriminacao mais subtil, mais velada. Em vez de ser a dupla punicao (private joke) e a dupla discriminacao...Corrijam-me se estiver errada.

1 Comments:

At segunda nov. 22, 12:27:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Bom Ângela, essa pergunta é de uma ingenuidade que nem parece vir de uma gaja que tá no activismo à tantos anos.
Como é do teu conhecimento a sexualidade da mulher tem sido tratado ao longo dos tempos como inexistente, passiva, catalogada em esteriótipos como a puta e a santa, mais recentemente representados pela mulher de sucesso, bela, que vai ao cabeleireiro, à pedicure. manicure, esteticista, compra a Máxima e a Vogue, é independente... mas volta todos os dias para casa, para cuidar da casa, dos filhos, do marido, da avó, do periquito... e a outra, aquela que não perde horas a depilar as pernas, não lê a Vogue, mas sabe falar de discriminação de género, de raça, de imigração é activista política e o seu objectivo máximo NÃO é casar, e NÃO é ter filhos e cuidar deles sozinha, e NÃO é aturar gente machista, sexista, homófoba, racista, etc.. mais ou menos aquilo a que a Valerie Solanas chamaria de SCUM, as denominadas sem-vergonha que nunca seram umas "senhoras a sério, horror, sei lá".
Não é pois de admirar que esta sexualidade santificada, demonizada, ignorada e INVISIVEL se repercuta nas representações que temos no nosso dia a dia. A lógica é: as mulheres não têm sexualidade sem ser passiva, receptora, bem comportada... e como o sexo se resume ao falo e ao falocentrismo do portador do falo, e à penetração e ao macho (esse sim, ó glorioso detentor da sexualidade humana) como pode existir sexo que não seja macho-fémea? Toda a gente sabe que duas mulheres não podem ter sexo, afinal não têm um pénis... é por este motivo e por outro que as lésbicas não existem, são um mito, não sabias? ;)
P.S - E SIM CLARO que etava a ser irónica linda... abraço

Poeta_pedrada

 

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